Aumento na busca por diagnósticos no Brasil acende o alerta para uma condição crônica, frequentemente confundida com obesidade, que afeta milhões de brasileiras.
“Não é normal sentir dor nas pernas o tempo todo.” Esta constatação reflete o aumento na procura por atendimento médico no país, encabeçada por mulheres que buscam esclarecer uma disfunção que, historicamente, tem sido subnotificada ou diagnosticada de forma errônea. O lipedema, uma doença crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres, mas ainda carrega o peso da desinformação.
O aumento recente na conscientização sobre a doença tem revelado um cenário preocupante: milhares de pacientes passam a vida tentando emagrecer com dietas restritivas e exercícios intensos, sem sucesso, acreditando que o problema é a falta de disciplina.
“A principal queixa da paciente com lipedema é a dor e o peso nas pernas, acompanhados de uma frustração profunda, pois aquela gordura específica não responde às mudanças de estilo de vida como a gordura convencional”, explica o Dr. Victor Hugo, angiologista e cirurgião vascular.
Por que é confundido com obesidade?
O grande desafio do lipedema é a confusão de diagnósticos. Enquanto a obesidade é caracterizada pelo acúmulo global e sistêmico de gordura corporal, o lipedema é altamente localizado (geralmente do quadril até os tornozelos, e às vezes nos braços) e poupa áreas como tronco, mãos e pés.
Como a doença causa um alargamento significativo dos membros inferiores, muitos médicos e pacientes associam o quadro apenas ao ganho de peso padrão ou à “gordura localizada”. No entanto, a gordura do lipedema é doente, inflamada e fibrótica, o que explica a dor e a dificuldade de eliminá-la.
Sinais de alerta: como identificar o Lipedema?
Para ajudar mulheres a diferenciarem o ganho de peso comum do lipedema, os especialistas destacam os principais sinais de alerta:
Dor e sensibilidade: A gordura dói ao toque. Um simples esbarrão ou a pressão do próprio parceiro ou filho, ou até mesmo de um animal de estimação no colo, pode causar desconforto.
Desproporção corporal: É comum a paciente usar um tamanho de roupa muito menor na parte de cima do corpo e um tamanho muito maior na parte de baixo (ex: blusa P e calça G).
Hematomas inexplicáveis: Surgimento frequente de manchas roxas nas pernas sem nenhum trauma ou batida aparente.
Textura da pele: Presença de nódulos palpáveis sob a pele, que muitos descrevem como a sensação de tocar em um “saco de bolinhas de gude” ou grãos de arroz.
Sinal do “Garrote” (ou do Punho): O inchaço e a gordura param abruptamente nos tornozelos, formando uma espécie de anel ou pulseira, poupando os pés.

Quando procurar ajuda médica?
A progressão do lipedema pode levar a limitações de mobilidade e a danos no sistema linfático (o chamado lipolinfedema) se não for tratado adequadamente. Mulheres que se identificam com os sinais acima devem procurar avaliação médica especializada, preferencialmente com um cirurgião vascular ou médico com foco em doenças linfáticas e venosas.
“O diagnóstico precoce muda a história da doença. Hoje, temos uma variedade de tratamentos que envolve desde terapia compressiva, dieta anti-inflamatória, fisioterapia complexa até a cirurgia de lipoaspiração focada na remoção dessa gordura doente. O mais importante é que a paciente entenda que a culpa não é dela e que existe tratamento”, conclui o Dr. Victor Hugo.

Sobre Dr. Victor Hugo
Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o Dr. Victor Hugo é cirurgião vascular e referência no tratamento moderno de varizes. Foi um dos pioneiros no Brasil a realizar, ambulatorialmente, o tratamento com endolaser para varizes, técnica que dispensa a cirurgia convencional. É cofundador da Clínica VHG, que atua no tratamento de varizes e lipedema, além do rejuvenescimento das pernas, com foco em celulite e flacidez.
Ex-professor da Faculdade de Medicina Christus, acumula sólida formação acadêmica: graduou-se em Medicina pela Unichristus (2013) e concluiu residências em Cirurgia Geral pelo Hospital Geral de Fortaleza (2016) e em Cirurgia Vascular pela Universidade Federal do Ceará (UFC/Hospital Walter Cantídio, 2018). Possui ainda mestrado em Tecnologias Minimamente Invasivas (2017).

